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Se tragar é o principal ato de todo o rito de fumar, acender está logo atrás na ordem de importância. Muita gente começa a fumar apenas acendendo cigarros para amigos, pais ou companheiros. E para várias pessoas só a imensa satisfação desse momento já é bastante -- todos conhecemos alguém que não fuma mas pede para acender o cigarro dos amigos e parentes! No entanto, o gesto rápido e mágico que inicia uma sessão de prazer é freqüentemente negligenciado, sendo que pequenos detalhes e observações podem torná-lo ainda mais especial.
Para quem fuma o tabaco em outras formas, como cachimbos e charutos, as técnicas são diferentes e em geral mais trabalhosas. Já para os bem mais numerosos apreciadores de cigarros, que repetem este ato várias vezes por dia, a forma é simples, mas é fundamental dominar a técnica de acender sob qualquer situação. A técnica e o estilo vão depender basicamente do objeto acendedor utilizado, e é por eles que vamos começar. Isqueiros
Práticos, seguros e sempre disponíveis, os isqueiros são a forma mais comum e recomendada para acender cigarros. Qualquer isqueiro decente deve funcionar de forma satisfatória e regular mesmo em um ambiente em que haja uma leve brisa, e não pode ser apagado pela ponta do cigarro ou pela sua própria respiração que sai pelo nariz.
Os isqueiros mais populares e baratos, como os Bic e Cricket, são descartáveis -- embora em alguns países seja comum recarregá-los quando o gás acaba --, fabricados em plástico e a ignição ocorre graças a um pequeno tambor giratório de metal em fricção com uma pedra. O próprio gesto de girar esse tambor com o polegar faz com que, no fim do curso do dedo -- e frações de segundo depois que a faísca é lançada -- seja acionado um botão que libera a saída do gás liquefeito. Tais isqueiros emitem uma chama amarela, de temperatura relativamente baixa. Nos modelos de boa qualidade ela tem tamanho médio e regular, mas com o inconveniente de ser extremamente sensível a fluxos de ar laterais. Alguns modelos permitem o ajuste da altura da chama. Existem incontáveis formatos e cores para estes isqueiros. Mesmo assim, por serem tão comuns eles raramente chamam a atenção. A vantagem é que em geral eles são baratos e não causam muitos aborrecimentos quando são esquecidos em algum lugar ou "emprestados sem volta" -- há quem diga que existem quadrilhas de duendes especializadas em roubar estes isqueiros e levá-los para outra dimensão!
Já é bem mais triste perder um isqueiro dos mais sofisticados, que são recarregáveis, feitos em vidro ou metal e têm funcionamento diferente. O mais famoso e clássico de todos eles é sem dúvida o Zippo, venerado pela sua tradição, durabilidade e estilo essencialmente masculino. O Zippo e seus poucos mas existentes clones funcionam com um fluido que parece querosene e tem um forte e característico cheiro. Uma "casca" metálica que inclui a tampa com mola esconde um tambor giratório que fricciona uma pedra e um longo pavio que fica no interior de uma espécie de cerca, responsável pelo excelente funcionamento do isqueiro mesmo em condições de vento forte. A casca do Zippo é removível e sua retirada revela um corpo metálico do mesmo tamanho, mas com o fundo aberto e completamente preenchido por um chumaço fibroso similar ao algodão e entremeado pelo outro lado do pavio. É nesse tecido que fica embebido o fluido. Os Zippos originais têm garantia eterna de fábrica e todas suas peças são facilmente encontradas no mercado para reposição em caso de problemas. Mas apesar disso, e de serem objeto de desejo e item obrigatório para todo fumante aficcionado, os Zippo têm inegáveis inconvenientes além do preço salgado: precisam de recargas freqüentes; o pavio se desgasta facilmente e dificulta o acendimento; o forte odor do fluido contamina as primeiras tragadas e, caso a recarga tenha sido recente, o fluido pode escorrer quando se está em um avião, e causar queimaduras em contato com a pele (isso se não causar um incêndio).
Uma opção mais barata e muito elegante são os isqueiros recarregáveis a gás butano, que também podem ser encontrados em diversos modelos -- infelizmente, a maioria deles fabricada na Ásia com qualidade bem duvidosa. Os chamados modelos "eletrônicos" ou "laser" têm um esquema de acionamento por filamento e produzem uma chama intensa, praticamente sem cheiro, muito resistente ao vento, e que durante o dia só é perceptível porque o orifício de saída do gás se acende em um amarelo intenso (à noite a chama aparece suave, curta e variando entre o azul e o verde). Com muito menos simbolismo masculino que os Zippo, esses modelos combinam muito bem com mulheres. A baixa qualidade dos fabricantes, porém, faz com que a maioria deles se danifique em pouco tempo. Uma variação desses isqueiros são os chamados "maçaricos", que como os verdadeiros maçaricos produzem uma chama de alta pressão, fina, intensa e bastante audível, com coloração azul ou verde. O lado ruim é que estes modelos consomem muito gás.
Um isqueiro estiloso sempre chama a atenção, e de certa forma até realça a personalidade do fumante e mostra o grau de seu apreço ao fumo. O gestual do uso do isqueiro também pode demonstrar várias impressões positivas. Ainda hoje é considerado um ato de cavalheirismo e elegância um homem sacar o isqueiro para acender o cigarro de uma dama logo que ela leva o cigarro aos lábios -- por outro lado, apesar de que atualmente também vejamos o contrário, o homem via de regra é quem deve acender seu próprio cigarro, mesmo quando o isqueiro é emprestado. Quando a mulher tem seu cigarro aceso por um cavalheiro, deve tragá-lo segurando-o entre os dedos e apenas o suficiente para que o cigarro acenda corretamente, tirando-o dos lábios rapidamente para agradecer. Quando ela própria usa o isqueiro, fica especialmente charmoso usar uma mão para tirar o cigarro dos lábios e a outra para pôr o isqueiro de volta onde ele estava. Acendedores de carroAcender um cigarro no carro é uma coisa automática para muitos fumantes, mas a circulação de vento pelas janelas pode atrapalhar ou impedir o uso do isqueiro -- isso pode não ser um grande problema para quem está como passageiro, com as mãos livres, mas para quem está ao volante isso pode até ser um risco de desatenção. O acendedor de cigarros não é mais um item de série em muitos carros populares, mas é um opcional bastante recomendável para quem fuma, por ser mais seguro e à prova de vento (fora o fato de que ao usar o isqueiro você poderá esquecê-lo no carro). A dica principal é não encostar o o cigarro na resistência elétrica do acendedor: basta chegar perto. Isso vai evitar que se acumulem partículas de fumo no acendedor e com isso ele funcionará bem por mais tempo. Fósforos
O cheiro dos fósforos são desagradáveis para muita gente e interfere no sabor do cigarro, e usá-los exige que as duas mãos estejam disponíveis e não haja correntes de ar no ambiente. De qualquer forma, eles muitas vezes são a única opção e podem até ser usados de uma forma sensual. Dependendo de como se segura o palito, pode parecer que o fogo está saindo dos dedos ou da mão! Como já foi avisado, evite tragar logo que acender, pois a fumaça terá gosto de enxofre -- apenas puxe a fumaça do cigarro para a boca e solte-a logo em seguida. Especialmente para a mulher, existe a charmosa opção de usar essa primeira fumaça para apagar o fósforo, em vez de chacoalhar o palito no ar. Velas e lamparinasQuando disponíveis, as velas e os demais objetos com chama ou calor intenso podem ser úteis para acender um cigarro -- apenas é preciso tomar cuidado com outras velas que possam estar na mesa não se aproximem da roupa ou do cabelo. Não é recomendável tirar a vela de seu lugar para acender um cigarro, porque a cera quente pode escorrer e causar sujeira ou mesmo queimaduras leves. Para a mulher, pode ser bastante atrativo se reclinar suavemente sobre uma mesa de jantar para alcançar a chama. Acendendo com outro cigarro
Se você vive perdendo ou esquecendo seu isqueiro, ou se nem tem um porque fuma apenas ocasionalmente, ou até se você fuma realmente muito, você certamente vai precisar ou querer acender um cigarro usando outro. É o que acontece quando você pede fogo emprestado e a pessoa lhe oferece o próprio cigarro, ou quando está quase acabando um e já quer fumar outro.
A brasa do cigarro aceso não é tão quente e por isso é preciso encostá-la mesmo na ponta do cigarro apagado. Isso exige um movimento preciso, sem esbarrões, e muita suavidade para não pressionar demais um no outro - o cigarro novo pode se amassar e, no aceso, a brasa pode até se soltar. É preciso manter as pontas encostadas por algum tempo, talvez girá-la para encostar uniformemente em toda a ponta do cigarro apagado, e tragar com força. Duas ou três tragadas seguidas garantirão que o cigarro acenda correta e completamente. Acendendo charutos Os charutos devem ser acesos de forma bastante diferente dos cigarros. Para começar, os apreciadores puristas condenam severamente o uso de isqueiros, porque o gás pode contaminar o sabor do fumo e se impregnar no charuto de forma definitiva. Apesar de também exalarem um cheiro forte, os fósforos são mais recomendados, especialmente os de palitos longos.
Dependendo do calibre do charuto, pode ser necessário acender dois ou três palitos de uma vez, e quanto maior a espessura, mais difícil será acendê-lo, porque proporcionalmente se reduz a pressão negativa exercida pela sucção da boca para fazer a chama inflamar o fumo. Depois de riscar os palitos, deve-se aguardar que a camada de fósforo se inflame totalmente e que a fumaça dela se dissipe. Usa-se, então, apenas a chama da própria madeira dos palitos, que deve ser colocada próxima à borda da ponta do charuto. Sem parar de "bombear" a fumaça (mas sem tragar, apenas soltando-a rapidamente), deve-se girar o charuto com a outra mão, de maneira uniforme sobre a chama, para que sua ponta vá se acendendo de fora para dentro.
Ao contrário dos cigarros, o charuto não pode ficar muito tempo "parado", pois apaga com mais facilidade, o sabor fica muito prejudicado e reacendê-lo fica mais complicado. Acendendo cachimbosOs apreciadores de cachimbos sabem bem que o básico para acendê-los corretamente é não apertar demais o fumo dentro do fornilho, o que dificulta a passagem de ar e, por conseqüência, a combustão. É preciso socar o fumo apenas o suficiente para que ele não caia quando o cachimbo for reclinado de lado ou até de cabeça para baixo para ser aceso -- isso dependerá do acendedor utilizado. Os isqueiros, especialmente os modelos a gás do tipo maçarico ou "laser", são os mais indicados. O isqueiro comum exige uma inclinação maior e, como a chama se volta para cima mesmo quando o isqueiro está apontado para baixo, é preciso tomar cuidado para não queimar o polegar, e nem se deve mantê-lo aceso nessa posição por muito tempo para que o calor não possa derreter o plástico do corpo do isqueiro. A chama deve ser movimentada para que atinja todo o fumo do fornilho, enquanto se bombeia o cachimbo ininterruptamente até que o volume da fumaça seja satisfatoriamente denso.
Acendendo narguilêA combustão do fumo no narguilê é completamente diferente da utilizada nos outros métodos de fumar tabaco -- o fumo em si não é aceso, mas sim "assado" pela pedra de carvão que fica separada dele por uma pequena grelha ou por papel alumínio. Acender esse carvão pode ser bastante trabalhoso e demorado -- existem algumas marcas que misturam pólvora ao pó do carvão para facilitar a ignição, mas estes são pouco recomendáveis por haver elementos tóxicos na pólvora.
O apreciador de narguilê deve considerar sempre a compra de um isqueiro maçarico (que normalmente está mais para maçarico mesmo do que para isqueiro), que facilita muito o acendimento do carvão por fornecer uma chama intensa e concentrada. Nunca se deve tentar acender um carvão normal usando-se um isqueiro comum, pois sua temperatura é insuficiente e manter a chama acesa faz derreter os elementos plásticos que prendem o tambor. Uma possibilidade é usar um dos queimadores de um fogão a gás: coloque o carvão na grade do fogão, bem acima de onde a chama do queimador for mais forte, e use o pegador para virar o carvão algumas vezes até que ele já esteja em brasa em toda sua extensão. Coloque-o sobre a grelha do narguilê, ligeiramente deslocado do centro do fornilho, e trague profundamente na mangueira por algumas vezes até que o volume de fumaça esteja satisfatório. Caso o carvão esteja demorando para inflamar, segure-o cuidadosa e firmemente com o pegador e balance-o no ar rapidamente. |