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A publicidade da indústria de tabaco sempre foi taxada como irresponsável, enganosa e baixa pelos anti-tabagistas. Hoje, curiosamente, o próprio lado anti-tabagista admite que aprendeu a fazer propaganda com a mesma indústria! A publicitária e colaboradora Amanda Luiza faz uma breve análise sobre a metodologia e a ética adotadas pelo discurso anti-fumantes.
"Aprendemos com a indústria do tabaco [a fazer propaganda]", declarou a representante do Ministério da Saúde, Valéria Cunha, no debate sobre a campanha anti-fumo que aconteceu na MTV. Para a publicitária Amanda Luiza, em depoimento exclusivo por e-mail ao FumantesUnidos.org, trata-se de uma flagrante contradição, principalmente em um tempo em que a ética da publicidade é tão debatida e exigida. "Hoje em dia, a própria indústria de tabaco reconhece que suas propagandas eram muitas vezes formuladas por meio de técnicas e argumentos falaciosos", relembra a publicitária. "Há anos atrás, quando começaram a questionar o fato de o cigarro causar o amarelamento dos dentes, lançou-se uma propaganda na qual focalizava-se apenas a boca da mulher, com um sorriso do tipo 'colgate', e logo abaixo um cigarro segurado pelos seus dedos. Este tipo de 'fonte' ou idéia de propaganda já vem sendo muito criticado, como nada ético. E o movimento anti-fumo, ou melhor, anti-fumantes, ainda tem a coragem de dizer que segue a mesma fórmula????", questiona.
No debate a mesma integrante do governo declarou que estudantes escolheram as fotos que são veiculadas nas embalagens e maços de cigarros, o que também é criticado pela publicitária: "Isto significa que, acima de tudo, trata-se de uma campanha amadora??". Amanda ainda repudiou as declarações do publicitário responsável pela campanha da Organização Mundial da Saúde no Brasil, sobre a intenção assumida de causar constrangimento aos fumantes. "Além de tudo, esse tipo de publicidade não 'vende a idéia'. A nova propaganda do chiclete anti-fumo, por exemplo, ridiculariza de tal forma o fumante que fica extremamente difícil o suposto público-alvo ser levado à procura do produto", aponta.
A publicitária lembra que Armando Levy, autor do livro "Propaganda - arte de gerar descrédito", já apontou problemas na propaganda anti-fumo em palestras. "Muito do que há em seu livro sobre a empresa analisada serve para outras tantas que, sabemos, não são modelos, tais como Telefonica e também para essa pseudo-campanha em favor da saúde", indigna-se Amanda.
"E então fica a pergunta: afinal de contas, a campanha é anti-fumo ou anti-fumante?"
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