Contra o preconceito e o desrespeito

Contra o preconceito e o desrespeito

Desigualdade manobrada
Variedades - Artigos

O carioca Marcelo Mendes levanta a bola: se a sociedade se importa tanto com o tabagismo e não tem a mesma preocupação com coisas que realmente prejudicam não apenas seus usuários, como o álcool, há sinais de que estamos diante de uma preocupação artificialmente construída.

Somos maiores, responsáveis e informados. Temos plena consciência sobre os riscos de fumar e o fazemos com responsabilidade e civilidade. Legitimamos e cumprimos as determinações legais, quanto à restrição do ato de fumar em restaurantes, coletivos, repartições públicas, teatros, cinemas, aeronaves entre outras tantas que vigoram em nosso Estado.

Só não aceitamos a forma preconceituosa, por não dizer criminosa, com que somos tratados. Questionamos o motivo de termos nossos direitos cerceados de forma aviltosa e inaceitável. Questionamos o porquê de não existirem movimentos e opiniões semelhantes aos demais cidadãos deste país que optam por fazer uso do álcool ou dos que consomem gordura animal diariamente.

Entendemos e aceitamos como verdadeiro o fato de que o cigarro mata, da mesma forma que o álcool também mata e concluímos que ambas são nocivas. Com um agravante: o álcool talvez seja, dentre as drogas lícitas, a única que propicie a morte de mais de uma pessoa logo após a sua utilização. Se somarmos a isto seu imenso potencial de desagregar núcleos familiares e causar distúrbios sociais diversos, teremos como resultado algo verdadeiramente perigoso para o indivíduo e para a sociedade.

Se tal droga é tão perniciosa assim, porque não vemos nas latas e garrafas de bebidas alertas e fotos com vitimas de acidentes automobilísticos, de pessoas imundas jogadas às calçadas em plena luz do dia, de filhos espancados pelos pais, de famílias desfeitas, de pessoas se agredindo fisicamente, de pacientes terminais com câncer, cirrose hepática, hepatite, fibrose, lesões de pâncreas e estômago, entre outras? Por que não temos leis mais duras e restritivas ao seu consumo, então?

Diante deste pequeno argumento, cremos que esta mesma sociedade que imputa a nós, usuários do tabaco, pesadas restrições, não possui discernimento, conhecimento e tampouco opinião própria. Não passa de mera replicadora de conceitos. Em suma, não é nada mais do que uma grande acéfala massa de manobra.

Esperamos ter nossos direitos quanto indivíduo respeitados e gozarmos de nosso pleno direito de escolha, sem que isto jamais venha a ferir os preceitos básicos do viver em sociedade.

(Marcelo Mendes - empresário, 37 anos, Rio de Janeiro)

 
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