Contra o preconceito e o desrespeito

Contra o preconceito e o desrespeito

O consumidor, como fica?
Variedades - Artigos

Fumante também é consumidor, e como tal deve ter seus direitos legais respeitados. Restou muito mal explicada uma promoção da Philip Morris do Brasil para sua marca de cigarros Shelton -- como é relatado pelo artigo enviado por Rosinha Zamp, de São Paulo.

Sou fumante, sim! (primeiro pecado mortal que confesso, pratico e abuso. E para o qual não procuro absolvição.)

Durante anos fumei Minister, até que um belo dia, no ano de 2006, sem aviso algum, o Minister saiu de linha. No começo foi difícil me adaptar com outras marcas, experimentei várias... Há mais ou menos dois anos fumo Shelton curto, da Philip Morris Brasil.

Não estou aqui para falar do meu vício. Dizem por aí que o consumidor sai sempre perdendo. Não é que isso é verdade? No mês de abril de 2008, o Shelton passou a oferecer a seguinte promoção, por meio de pequenos panfletos inseridos nos maços: "Com 3 cupons e mais R$1,00, você leva uma exclusiva taça. Informe-se sobre o ponto de troca mais perto de você. Ligue gratuitamente para 0800 724 3404".

Foi o que fiz! Liguei para a atendente da Philip Morris, que me informou prontamente dois pontos de troca próximos a minha residência, onde uma representante estaria para fazer a troca. Fui várias, várias vezes aos tais pontos de troca... Em um, a representante NUNCA estava no local. No outro, a representante me disse que o número de taças não era suficiente para atender a demanda, e que eu deveria reclamar no 0800 da empresa...

Pergunto: e a logística?? Novamente caímos no famoso "efeito chicote" que é comum em promoções: quando as vendas de determinado produto aumentam, os fornecedores geralmente erram para menos, pois não têm informação prévia da natureza da promoção, da estimativa da demanda, e muito menos os históricos de vendas das lojas em promoções semelhantes.

Bem, novamente, fiz o que me foi informado. Liguei de novo para o 0800. A atendente me disse que retornaria a minha ligação. Continuo esperando... Conclusão: a promoção acabou no dia 20 de julho, e eu não consegui trocar uma única tacinha!

Pobre bicho frágil, tão vulnerável, tão sem defesa, que é o consumidor perante o insólito mundo publicitário: apenas mais um número nas estatísticas. A propaganda revela o sentido mais pragmático do capitalismo financeiro, apresentando o fantástico e ocultando sua verdadeira essência mercenária. O Ministério da Saúde adverte: "não adianta Código de Defesa do Consumidor, pois a burocracia sempre entra no caminho, gerando a ineficiência". Caso nossa queixa seja de valor irrisório -- como é o preço de um simples maço de cigarros --, sempre ficaremos no nosso canto, porque não valerá a pena tanto sacrifício por causa de uma ninharia, sem falar no tempo perdido e no aborrecimento.

Rosinha Zamp, de São Paulo

 
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