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A notícia não é nova, mas ainda vale como alerta. O Champix, um dos mais novos e receitados remédios para quem deseja parar de fumar, está na mira das autoridades de saúde. Descobriu-se que seu uso provoca depressão, agressividade e até mesmo ações suicidas. É assim que a indústria farmacêutica "se preocupa" com os fumantes??
O princípio ativo do Champix é a vareniclina, que levou o governo norte-americano a publicar um relatório advertindo para os efeitos causados ao sistema nervoso. Em 21 de maio, como foi noticiado pelo site HeartWire, a agência de aviação civil dos Estados Unidos (FAA) anunciou que estavam proibidos de tomar o medicamento todos os pilotos e controladores de vôo do país.
Segundo um estudo do Instituto de Práticas Seguras de Medicação (ISMP, Estados Unidos), aconteceram por causa do Champix 227 casos domésticos de atos suicidas ou comportamento anormal, 28 suicídios, 297 casos de psicose, 525 casos de agressão ou hostilidade, 41 casos de pessoas dizendo ter "pensamentos homicidas", 55 casos de alucinação e 60 casos de paranóia. Além disso, a droga causou 224 casos de arritmia cardíaca, 544 casos de diabetes, 458 casos de espasmos musculares e 148 casos de distúrbios da visão.
O laboratório Pfizer, fabricante do Champix, divulgou uma nota explicando apenas que as bulas e embalagens da droga já trazem alertas sobre os riscos de usar a droga. A nota ainda destacou os "benefícios à saúde em parar de fumar" e sugeriu que estes devem ser colocados na balança junto com os riscos da vareniclina.
O FumantesUnidos.org informa que não tem registros ou conhecimento de qualquer caso de homicídio, comportamento estranho, agressividade e suicídios causados pelo ato de fumar. Pelo contrário, temos relatos de pessoas que dizem que fumar lhes ajudou a combater o stress e a depressão. Logo, devemos recomendar que os médicos que receitam Champix a seus pacientes passem a receitar, a partir de agora, um maço de mentolados.
Se a ironia acima (que tem sua lógica) pode soar irresponsável, não podemos considerar menos irresponsável a indústria farmacêutica que põe no mercado uma droga que causa os efeitos relatados pelos órgãos de saúde norte-americanos; e especialmente a cara de pau da Pfizer em simplesmente dizer que alerta sobre os riscos e que tomar o remédio ainda pode ser melhor à saúde do que fumar. Voltamos a expressar nossa opinião -- compartilhada por praticamente todas as organizações internacionais de defesa dos fumantes -- de que é a mesma indústria farmacêutica que financia a maior parte das campanhas e das "pesquisas" contra o fumo, exatamente para convencer consumidores e gestores de sistemas públicos de saúde a comprar seus produtos.
A diferença fundamental que deve ser observada, aqui, é que nem a indústria tabagista e nem mesmo as entidades de defesa dos fumantes apresentam o fumo como algo benéfico à saúde, como tenta fazer o outro lado -- agora, publicamente desmascarado. Recomendamos que as pessoas interessadas em parar de fumar tentem fazê-lo usando somente a paciência e a própria força de vontade, como milhões de pessoas já fizeram. É muito mais saudável, e não vai ajudar a alimentar e financiar mais mentiras. |