Contra o preconceito e o desrespeito

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O fumo e o seu ambiente de trabalho
 
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Fumar causa Alzheimer... nos anti-fumantes!
Saúde e Ciência - Pseudociência

Em um flagrante exemplo de ciência enganosa e divulgação manipulada, a reportagem publicada no site Globo G1 (quarta, 16/04/08), com o título "Fumar e beber demais faz Alzheimer chegar quase dez anos mais cedo", é praticamente um jogo dos sete erros. Basta um mínimo de bom senso e inteligência para enxergar os erros do tal "estudo", em uma cobertura que foi financiada pela empresa farmacêutica americana Biogen Idec.


Segundo a reportagem, o estudo do neurologista Ranjan Duara, do Centro Médico Monte Sinai, dos EUA, pode abrir "portas de uma excelente e simples medida de saúde pública contra o Alzheimer". Declarou o Dr. Duara que "se os governos fizerem campanhas e as pessoas se conscientizarem que basta beber moderadamente e parar de fumar (...) acredito que teríamos avanços consideráveis". Leia a reportagem e perceba onde está a malandragem:

1) O estudo foi feito com "938 pessoas com mais de 60 anos diagnosticadas com "Alzheimer provável". Alguém pode explicar o que é um diagnóstico de "possível doença no futuro"? O tal "estudo" não passa de uma hipótese. E, pela idade dos analisados, trata-se de um público já naturalmente propenso ao mal de Alzheimer, independentemente de fumar ou não.

2) A pesquisa atirou para todos os lados. Identificou a existência de um gene ligado ao surgimento do mal de Alzheimer, o gene APOE, em 27% dos analisados. Entre as mesmas 938 pessoas, 20% (ou seja, 187 pessoas) foram considerados "fumantes abusivos", e 7% bebiam mais de duas doses diárias de álcool. O pesquisador, assim, misturou vários dos seus pré-concebidos "fatores de risco" em uma só panela.

3) "De todos os analisados, 17 indivíduos tinham os três fatores de risco: fumavam demais, bebiam demais e tinham o gene APOE. Neles, o Alzheimer chegou cerca de 8,5 anos antes que nos demais". Ou seja: por conta da coincidência de três "fatores de risco" em apenas 1,81% dos analisados, concluiu o Dr. Duara que "fumar causa mal de Alzheimer". Ocorrência baixa, estatisticamente considerada insignificante, e o próprio pesquisador desconsiderou o papel fundamental do gene APOE no possível desenvolvimento da doença -- e repórter e editor do Globo G1 caíram nessa.

4) O Dr. Duara declarou que foram errados os resultados das pesquisas que atribuíram à nicotina -- e não ao cigarro, como diz o texto -- efeitos benéficos no tratamento do mal de Alzheimer (e também do mal de Parkinson). O cientista esqueceu de avisar que as pesquisas que indicam tais efeitos são realizadas em observação de casos reais, ao longo de anos, e não em hipotéticas "doenças prováveis" como a pesquisa dele. Explicações detalhadas, em inglês, com a citação de ampla bibliografia sobre os casos analisados, podem ser vistos aqui e aqui.

5) Nota no fim do texto esclarece que "a jornalista viajou a convite da Biogen Idec". Não é o caso de dizer que a jornalista ou o próprio veículo de ocmunicação foram "comprados". É absolutamente normal que empresas banquem a viagem de grandes comitivas de repórteres para eventos. Mas, inegavelmente, tais eventos são direcionados para os interesses das tais empresas, e são as informações contaminadas por esses interesses que são refletidas nas reportagens. É notório, porém, o erro do editor, que no afã de "esquentar a matéria", como se diz no linguajar jornalístico, emplacou manchete evidentemente enganosa. E é com base nesses erros e desenganos que xiitas anti-fumantes tentam cassar a liberdade de 1/3 da população do Brasil e do mundo.

 
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