Contra o preconceito e o desrespeito

Contra o preconceito e o desrespeito

O fumo e o seu ambiente de trabalho
 
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Quando é hora de parar
Saúde e Ciência - Saúde
Fumar já não traz mais prazer para você? Tornou-se uma enfadonha rotina, uma obrigação, um incômodo? Ou você sente que realmente é algo que te prejudica, que afeta seu bem-estar? Se isso aconteceu, você tem o principal -- e verdadeiramente único -- motivo para parar de fumar. Incentivos para isso não faltam, mas, assim como a opção por fumar, parar é uma decisão absolutamente pessoal, e isso exige força de vontade e disciplina.

Para a maior parte das pessoas, é muito difícil cessar um hábito de uma só vez, de um dia para o outro. A forma mais eficiente para parar de fumar é ir diminuindo gradualmente a quantidade de cigarros por dia, até que se chegue a uma quantidade que pode ser desprezada sem qualquer impacto -- muitas pessoas dizem que são compulsivas demais para essa redução gradual, mas quem realmente não quer mais fumar consegue. De toda forma, o tempo necessário para diminuir ou parar varia muito de pessoa para pessoa, e você não deve se desanimar se outras pessoas conseguiram parar mais rapidamente que você. Lembre-se que levou anos até que você fumasse o que fuma hoje, e assim também é natural se você levar meses ou anos para reverter o processo.

O método da persistência

A forma mais segura para diminuir a quantidade de cigarros que você fuma, ainda que talvez leve mais tempo, é fazer exatamente o inverso do que você fez quando começou a fumar. Para começar, observe bem (e anote em algum lugar se for preciso) o número de cigarros que você fuma em alguns períodos ou situações, durante alguns dias. Você vai "descobrir" vários cigarros que você fuma meio que "automaticamente" simplesmente por serem associados a algumas rotinas -- por exemplo, quando se está indo para o trabalho pela manhã, ou logo depois do jantar.

Então, logo que você descobrir qual é a sua "rotina", tente reduzir o número de cigarros de determinados períodos do dia e tente evitar um ou dois desses cigarros que você fuma enquanto faz alguma outra coisa. A cada vez que você tiver vontade de fumar, tente se desafiar e pense: "eu preciso mesmo fumar agora? Ou será que eu poderia esperar mais um tempo? Se eu consegui ficar sem fumar até agora, por que não conseguiria mais um pouco?". Talvez isso faça você passar até mais tempo sem fumar do que havia planejado.

Depois de uma ou duas semanas mantendo esse mesmo nível, tente eliminar mais um ou dois cigarros da sua rotina diária, e mantenha esses cortes regularmente até chegar ao ponto desejado. Depois de uns dois meses, você já terá no mínimo diminuído sensivelmente a quantidade de cigarros por dia. Quando chegar a um momento em que cada um dos seus poucos cigarros pareça ser a melhor coisa do mundo, você verá que não há qualquer fator psicológico ou físico que obrigue você a fumar mais do que isso. Você estará habituado a se controlar, e talvez até sinta muito mais prazer em fumar dessa forma. Evite a tentação de fumar mais -- OK, eventualmente você pode fumar mais numa noite de farra, mas durante o dia seguinte volte ao seu normal.

Ajuda da química

É sabido que os males do fumo são quase todos ligados não à nicotina, mas sim a elementos tóxicos presentes na fumaça. A nicotina é somente o elemento estimulante que "vicia". Com base nesse princípio, existem vários medicamentos, feitos para quem quer fumar menos ou parar, que funcionam fornecendo nicotina ao corpo de alguma maneira ou substituindo-a por alguma substância de efeito equivalente, e assim se resolve pelo menos a necessidade física de fumar (a necessidade psicológica é outra questão). Esse método permite uma redução mais rápida e mais confortável, mas você ainda precisa contar com a sua força de vontade e eliminar aqueles cigarros que você realmente não precisa.

No Brasil, um dos medicamentos mais conhecidos para quem quer parar de fumar é o Zyban (bupropion), um antidepressivo leve que de certa forma age provendo o que a nicotina proveria. Também existem chicletes e emplastros (adesivos para a pele) com nicotina. O uso desses remédios segue mais ou menos a mesma rotina descrita no método anterior: você terá igualmente que observar sua rotina de fumante, descobrir em quais períodos costuma fumar mais, e então nesses momentos você substitui um ou dois cigarros pelo adesivo ou chiclete, e sucessivamente vai diminuindo tanto a quantidade de cigarros quanto a de adesivos ou chicletes. Você pode acordar e fumar normalmente. Então, indo para o trabalho, você não fuma, e ao chegar lá você usa o chiclete ou adesivo. Depois do almoço você fuma mais um cigarro. À tarde, quando der vontade de novo, outro adesivo. Não fume quando estiver voltando para casa. À noite você pode até fumar o quanto quiser: ao fim do dia, você terá fumado bem menos do que o normal.

É importante seguir uma disciplina rígida e resistir ao desejo de fumar para que não aconteça efeitos contrários que são relatados: às vezes a pessoa continua fumando enquanto usa os substitutivos e acaba ficando mais viciada ainda em nicotina, ou simplesmente troca o "vicio" de fumar pelo "vício" nos medicamentos, que afinal oferecem a mesma substância ou algo semelhante -- mas são bem mais caros. Como bem sabemos, não se fuma somente pela necessidade de nicotina, mas há os fatores psicológicos, o hábito em si. Com muita gente, funciona melhor usar o adesivo ou chiclete, que já dá toda a nicotina que seu corpo pede, e nos momentos em que realmente bate a vontade, fumar um ou dois cigarros ultra-light, de baixíssimos teores, o que daria cabo à necessidade psicológica de fumar e não afetaria o tratamento químico dos adesivos.

Enfim, pendurando o isqueiro

No decorrer do processo de diminuir a quantidade diária de cigarros, pode ser que você chegue a um ou dois por dia e sinta que realmente não precisa mais deles. Muitos fumantes chegam a um momento em que fumar não tem mais graça nenhuma. É ótimo e ideal quando é VOCÊ que conclui isso, em vez de ser forçado a parar enquanto ainda gosta de fumar.

Parar de fumar mexe tanto com a sua rotina quanto começar. Quando estiver perto de parar, e ainda por algum tempo depois que parar, evite as baladas e mesas de bar em que você normalmente fumava. Não ande mais com um maço de cigarros à disposição. Também não tente tirar dos seus últimos cigarros o máximo de prazer para compensar os cigarros que você deixou ou vai deixar de fumar -- pelo contrário, force-se a pensar em coisas ruins sobre o cigarro. Aliás, você pode ter sempre à mão uma lista de coisas ruins relacionadas ao cigarro, e lê-la toda vez que tiver vontade de fumar.

Uma outra dica é você compartilhar seu projeto de parar de fumar com alguém. Diga a essa pessoa quantos cigarros você fumou durante o dia, divida seus sentimentos e impressões, e isso vai gerar uma espécie de "obrigação" sua para com essa pessoa. E ela vai te dar o apoio necessário para reforçar a sua decisão, o que vai te ajudar bastante.

Se em algum momento durante o processo de redução você perder o fio da meada e quiser fumar, tudo bem. Apenas observe que você já deverá estar fumando bem menos do que anteriormente, e não se permita de jeito nenhum aumentar o seu nível atual. Depois, quando você novamente tiver a força de vontade para parar, retome a diminuição gradual. Você pode levar meses até retomar o trabalho, mas de qualquer maneira você já estará fumando bem menos do que fumava, e será mais fácil reduzir a partir de agora.
    
Você não precisa evitar a companhia de outros fumantes -- apenas diga que você está parando. Se for necessário, peça a eles que fumem menos quando estiverem com você, ou até que só fumem quando você também estiver fumando. Você também pode manter os hábitos que tinha, ir aos mesmos lugares a que você ia. A diferença é que agora você estará fumando muito menos, ou nem está mais fumando. Você vai ver que consegue, e isso tornará menos "traumática" sua nova vida de não-fumante.

Assim como você começou a notar a presença de fumantes ao seu redor quando você começou a fumar, passe a observar agora os não-fumantes e o que eles fazem, e mantenha em mente que, se 70% da população mundial não fuma, você também não precisa fumar.

Fumar só por prazer

Depois de reduzir bastante a quantidade de cigarros por dia, você pode ainda sentir um enorme prazer com cada cigarro, mas também considerar ridículo ou desnecessário ser um fumante regular. Para muitas pessoas, especialmente as que gostam mesmo de fumar, parar é um sofrimento tão grande que os benefícios passam a ser bastante questionáveis. Nesse caso, tornar-se um fumante ocasional, de festas ou fins de semana, ou até mesmo fumar dois ou três cigarros por dia, é um meio-termo mais simples e nada que ameace a sua saúde.

Em algum ponto da sua vida de fumante você fumava apenas uns 4 ou 5 cigarros por dia e os apreciava muito -- e ser um fumante ocasional é exatamente isso: ter muita satisfação com cada cigarro. Talvez a situação em que seja mais inevitável o desejo de fumar -- mas também onde é preciso manter o auto-controle -- é em uma noite de bebedeira com os amigos. Mantenha o controle, evitando acender um cigarro a todo instante que sentir a vontade. Tente se lembrar do esforço que fez para chegar a esse ponto, e se achar que é necessário, peça para alguém controlar e não deixar você fumar mais do que uns poucos cigarros. Como já foi dito anteriormente, o importante é que você não exagere e, principalmente, que no dia seguinte não se permita fumar mais do que já vinha fumando.

No dia a dia ou em casa é bem mais fácil manter o controle sobre a quantidade. Da mesma forma que acontecia quando você estava fumando demais (mas provavelmente inconscientemente), condicione-se a fumar apenas em poucas e determinadas situações -- por exemplo, depois do almoço, ou antes do banho, ou ao acordar. Obrigue-se a fumar apenas nesses momentos, e se a tentação for grande, não fique com um maço de cigarros à disposição, ou tire vários cigarros do maço e guarde-os, para que você ande apenas com o máximo de cigarros que se permitirá fumar.
 
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