Contra o preconceito e o desrespeito

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O fumo e o seu ambiente de trabalho
 
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Fumo e gravidez
Saúde e Ciência - Saúde
Talvez seja esse um dos principais temas de discórdia da atualidade -- poucas coisas elevam tanto as vozes quanto uma discussão sobre mulheres que continuaram fumando depois de se descobrirem grávidas. No entanto, todos nós conhecemos ou até mesmo somos filhos de mulheres que fumaram durante a gravidez, sem qualquer conseqüência, muito menos com o surgimento de "bebês em compota" como o que é mostrado nos maços de cigarros. Existem até mesmo relatos de pessoas que foram autorizadas pelos próprios médicos a continuar fumando. O que deve ser considerado em um caso assim?

Para a maioria das mulheres, parar de fumar durante a gravidez é muito mais uma questão de consciência do que de saúde. Porque, na verdade, o fumo durante a gravidez não causa tantos problemas quanto as campanhas fazem parecer. "Do meu último filho, apaguei o cigarro na porta da maternidade. Tive os dois com parto normal, com peso perfeito, nenhum teve problema", declarou a advogada Paula Carvalho, em uma entrevista ao site em português da BBC.

Existem riscos em fumar durante a gravidez, não se pode negar. O primeiro e mais importante é a saúde do bebê. Uma crianca em formação precisa de nutrientes e oxigênio -- se faltarem esses elementos, há risco de ela nascer prematura ou com órgãos pouco desenvolvidos, e pode também haver problemas depois do nascimento. Nesse aspecto, o fumo tem dois efeitos que podem se tornar prejudiciais. O monóxido de carbono existente na fumaça bloqueia a absorção de oxigênio pelas células sangüíneas da mãe, e por tabela também do bebê. Além disso, a nicotina tem efeito vasoconstritor, o que diminui o fluxo sangüíneo da mãe para o feto. Fumar também age como um redutor de apetite, o que pode fazer a mãe comer menos do que comeria normalmente, e assim deixar menos nutrientes disponíveis para a criança. Cumulativamente, e sem que a mãe tome outras precauções importantes, esses efeitos podem levar a baixo peso do bebê, má formação de órgãos (especialmente na fase final da gravidez, quando são formados os pulmões, o que pode gerar problemas respiratórios para a criança), e em casos extremos até o aborto. Um bebê pequeno pode ser melhor para uma mãe que tenha dificuldades no parto normal, mas também é mais frágil e sensível.

Surpreendentemente, há alguns efeitos que podem ser considerados positivos no fumo durante a gravidez, e é por isso que muitos médicos não se opõem à resistência de algumas mães a parar de fumar nesse período. Especialmente se a mulher fuma regularmente há anos e costuma fumar muito, parar de vez poderá causar ou agravar problemas como náuseas, e torná-la agitada e nervosa, o que não é nem um pouco bom para o bebê. Não obstante, os riscos e problemas de oxigenação do feto são proporcionais à quantidade de cigarros e à regularidade com que a mãe fuma. Assim, a mãe pode ser autorizada a fumar quando a vontade for grande demais, desde que não passe de uns cinco cigarros por dia, no máximo -- esta quantidade, com toda certeza, não traz mais riscos do que passar uma hora em uma rodoviária de qualquer capital brasileira.

Recomendações

A melhor dica para uma gestante fumante é, realmente, que pare de fumar se puder. Parar de fumar, ou pelo menos diminuir bastante a quantidade de cigarros, faz com que as hemácias transportem mais oxigênio e a capacidade pulmonar da mãe se restaure, e assim passe a fornecer mais oxigênio e nutrientes também para a criança. Por definição, mãe é aquela que cuida, alimenta e ajuda no desenvolvimento de um novo ser, e fumar não colabora em nada nesse processo. Imagine como pode ser um futuro em que você, em vez de levar seu filho para jogar bola, tenha que levá-lo toda semana a um hospital.

Se você não quer parar de jeito nenhum, ou se você fica muito desconfortável e ansiosa por não fumar, fume apenas o estritamente necessário para matar a vontade, sempre o mínimo que puder, especialmente nos três últimos meses de gestação. Dê preferência a cigarros de baixos teores ou até mesmo ao narguilê, que tem teores muito mais baixos de alcatrão e monóxido de carbono. Faça todos os exames pré-natais que puder, e informe ao médico que está fumando -- assim ele poderá observar mais atentamente nos exames se isso está afetando o desenvolvimento do bebê de alguma forma. E como em qualquer gravidez, de fumantes ou não-fumantes, é fundamental se alimentar muito bem, com uma dieta rica em proteínas e vitaminas, e evitar situações de stress ou esforço físico.
 
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