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Os defensores das proibições totais contra o fumo argumentam que a existência de áreas de fumantes em estabelecimentos seria prejudicial aos trabalhadores. A opção de contratar trabalhadores fumantes para essas áreas é violentamente rejeitada por esses grupos, que nunca apresentaram um caso real de um trabalhador adoentado unicamente por trabalhar em um espaço de fumantes. Mas demitir um funcionário porque ele é fumante, pode?? Ao contrário dos argumentos dos antifumantes, essa hipocrisia se prova na vida real. E o FumantesUnidos.org recebeu mais um relato de preconceito e discriminação contra um profissional altamente capacitado.
O leitor que enviou o depoimento pediu que mantivéssemos sua identidade em sigilo por temer represálias contra si mesmo e contra seus amigos. Morador do Rio de Janeiro, dono de um currículo invejável com passagens pelo serviço público e pela iniciativa privada, conseguiu um emprego como editor e revisor. No primeiro dia de trabalho, fez uma pausa para fumar, autorizada pela chefia. No dia seguinte, recebeu um telefonema de mesma chefia, informando que o dono da empresa exigia sua demissão. E um dos motivos para isso seria o fato de "a empresa não contratar fumantes"!
Indignado e constrangido, o trabalhador pôde confirmar depois, com conhecidos que trabalham na mesma empresa, que ser fumante foi a única causa verdadeira de sua demissão, e que todos os demais motivos alegados para a dispensa foram colocados meramente como "atenuantes" da notícia. "Todos a quem conto esta história se sentem enojados, sendo fumantes ou não, pelo tratamento dispensado ao profissional e pela prova do preconceito crescente contra o fumante em nossa sociedade", desabafa o carioca de 28 anos, arrimo de família, que também se sentiu insultado por ter recebido a notícia por celular -- a empresa não se dignou sequer a chamá-lo para receber pessoalmente o pagamento devido pelas horas de trabalho do seu único dia no emprego. "É mais uma prova de que mão-de-obra é artigo descartável em nosso país", declara.
Desculpas esfarrapadas ouvidas pelo revisor de textos, tais como "não ficam bem um funcionário se ausentar para fumar", "a empresa não tem fumódromo" e outras, são provas concretas daquilo que a Organização Internacional do Trabalho já constatou e anunciou -- enquanto o preconceito contra homossexuais, mulheres, religiosos e outras categorias já foram superadas ou abrandadas no mercado de trabalho, novas formas vêm crescendo assustadoramente, principalmente contra obesos e fumantes. Alegados prejuízos pela "ausência do funcionário" que sai para fumar são puramente mentirosos, porque os tais períodos de ausência não são diferentes -- e certamente são até menores -- do que o tempo de que um funcionário qualquer dispõe para ir ao banheiro, tomar um café ou sair para atender ao celular.
Hábitos e gostos de cunho estritamente pessoal não podem ser mais considerados do que a disposição e a capacitação de um trabalhador, e enquanto "boa aparência" é uma expressão altamente contestada e protestada em anúncios de empregos, a exigência de "não-fumante" é cada vez mais frequente e cinicamente ignorada pelas autoridades que deveriam garantir direitos iguais para todos os cidadãos. Pode-se até argumentar que uma empresa privada tem o direito de contratar quem bem entender, mas tal argumento seria confrontado violentamente se houvesse algum anúncio que requisesse explicitamente um profissional que seja fumante, a mesma vigilância subitamente deixa de ser cega.
O FumantesUnidos.org repudia todo tipo de preconceito deste tipo, não apenas contra fumantes mas também contra os obesos e outros cidadãos discriminados diariamente, e pede a seus leitores e colaboradores que se indignem, publiquem e denunciem todas as ocorrências semelhantes que venham a acontecer. |